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Sozinhos até Santiago

  • Foto do escritor: Bonding Worlds
    Bonding Worlds
  • 16 de abr. de 2022
  • 2 min de leitura

A cobiça por Santiago existe desde que nos conhecemos. Se, por um lado, para mim era pela ligação emotiva que tanto o meu pai como o meu padrinho têm ao Caminho, ao Ruben encantava o desafio físico e a sensação de realização que seria podermos dizer que o fizemos.


Começou por uma brincadeira. “Temos 6 dias de pausa entre os semestres, é só disso que precisamos”. Cresceu e floresceu uma ideia concisa. Logo depois surgiram as folhas com Albergues, com materiais a levar e dicas a ter em conta. O “mal posso esperar” passou a ser parte do nosso dia-a-dia, assim como, a constante pesquisa da meteorologia.


Esta é uma questão engraçada, fazer os Caminhos no Inverno implicou muitas danças contra a chuva e uma sorte incrível. De 21 a 26 de janeiro, não caiu uma pinga de chuva, contrariamente ao previsto por todos os nossos familiares. Ninguém compreendia a urgência desta aventura, o porquê de em plena estação gélida e na ausência do reconforto do calor. Mas havia uma necessidade de aventura, algo indiscritível que o Ruben sentia e que me puxou a embarcar com ele. Talvez a falta de saciamento da nossa atividade anterior, Lordelo, ou talvez a hipótese de uma perspetiva diferente do Caminho, apenas nós os dois e com o Sol de Inverno a clarear o que sentíamos.


Decidimos, então, que faríamos o Caminho Português e partiríamos de Valença. Somaríamos 124km repartidos em 6 etapas que se estenderiam por 6 dias. Toda a preparação consistiu em ouvir conselhos de quem já o tinha feito e mais nada. Não fizemos longas nem pequenas caminhadas como treino, fizemos com a condição física que tínhamos, treinando ao longo do Caminho.



Os 6 dias de viagem foram memoráveis. Faltam-me as palavras para descrever a nossa experiência, porque nenhuma faz suficientemente jus ao que nós passámos. A absorção de novas paisagens e de novos sentimentos eram constantes e implicavam parar para interiorizar. Isso, e o cansaço. Para além disso, a ausência dos peregrinos foi um tudo estranho tendo em conta os relatos contados. Sentimos falta da partilha de conversas e momentos com pessoas externas a nós, cada uma com a sua história. Não obstante, esse foi um factor que contribuiu para a autenticidade da experiência.


A chegada a Santiago será sempre um momento especial. Diversos pensamento nos assolavam. “Conseguimos” era o predominante. As lágrimas já me escorriam, o Ruben de mim se ria e a cada passo mais perto, mais o coração palpitava. E embora tivesse sido a etapa que mais custara, tudo se esvaneceu ao ver a Catedral. Não há sentimento equiparável.


Prometemos voltar em breve. Verdade seja dita, ainda íamos a meio e já estávamos a imaginar voltar a fazer os Caminhos de bicicleta ainda neste verão. Queremos fazer de novo, voltar a desafiar o físico e a mente e conhecer novos percursos. Queremos senti-lo outra vez.



Ao longo das próximas semanas, iremos publicar mais detalhadamente cada etapa que fizemos, alguns conselhos e peripécias. Mantenham-se a par e seguimos juntos, Bonding Worlds.












1 comentário


Membro desconhecido
17 de abr. de 2022

Fico muito feliz por vocês, por se terem proposto e por terem completado esta aventura. Acredito, sinceramente, que será o primeiro de muitos. Quem sabe se a vida não nos colocará todos juntos num caminho.....😉

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