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Trilho de 30km pelas caldeiras de Sete Cidades

  • Foto do escritor: Bonding Worlds
    Bonding Worlds
  • 28 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura

2021 foi o primeiro ano de viagens a sério juntos. Foi o ano em que nos metemos num avião (mais do que uma vez) e fomos. A viagem aos Açores surgiu assim.

Estávamos em confinamento há 32 dias, com testes e trabalhos a entregar. O cansaço pela rotina estrita à casa começava a contaminar o corpo e o bem-estar físico, até que surge uma mensagem “Queres ir Açores?”. O SIM foi imediato, mas a compra dos bilhetes enfrentou uma batalha psicológica grande. O grande fator decisivo foi o teste PCR, uma vez que era obrigatório e o governo dos Açores estava a cobrir os custos do teste em certos laboratórios. Sabendo deste facto, ainda nesse dia comprámos os bilhetes.


Programámos 6 dias de viagem, de 28 março a 2 de abril, coincidente com as férias da Páscoa. Traçámos o esboço de um roteiro com trilhos e sítios que queríamos mesmo visitar. Além disso, como nenhum de nós tinha carta nessa altura, confiámos muito nos autocarros, cujas rotas cobrem quase a ilha toda. Sem eles, não teríamos feito metade da nossa aventura.


No momento da partida, o entusiasmo abafava o nervoso miúdo pela viagem. Aeroporto vazio, como nunca tínhamos visto, mas, numa espécie de antítese, o avião bem carregado ia. O nosso primeiro dia nos Açores resumiu-se à procura dum sítio para jantar (porque ao domingo não estava nada aberto) e numa longa, L O N G A caminhada até ao nosso Airbnb. Acabámos por ir a um shopping e, no regresso, ficámos a conhecer uma prisão à beira-mar.



Dia 29 amanheceu encoberto e ventoso (sem novidades até aqui). Depois de uma tentativa falhada de alugar bicicletas e muitas lágrimas de vento, acabámos a ir tomar o pequeno-almoço a um cafezinho chamado Intz 48 Coffee Roasters, onde fomos acolhidos por um ambiente muito parecido com uns cafés no Porto. Abrigados do vento e com um café quente, planeámos o nosso dia. Acabaríamos por apanhar um autocarro até Várzea, um ponto mais a Oeste da ilha, até ao nosso alojamento. Foi o Airbnb mais bonito (e também mais barato) que ficamos de sempre. A simpatia da Mónica é reconfortante e as habitações são mesmo queridas. O dia acabou connosco a fazer um reconhecimento da zona, fotografias com vacas (claro) e muito vento. Apanhámos um bocado dum trilho até ao Farol da Ponta da Ferraria onde até nos sentamos a contemplar a paisagem agreste tão diferente do nosso local de conforto.



O plano para o dia seguinte foi visitar Mosteiros. Fizemos uma longa caminhada contra o vento para ver as praias de areia preta e as majestosas pedras que se erguem sob a água.



Foi um dia muito levezinho, uma vez que no dia seguinte tínhamos um objetivo exigente: fazer 20km (embora que o nosso GPS tenha marcado 30KM) em estrada que rodeiam as caldeiras dos vulcões.



Devemos confessar que o que vão ler a seguir é um MAU exemplo e foi irresponsável da nossa parte. Então, como combinado, fizemos o trilho das caldeiras no dia 31 de março e levávamos às costas a nossa mochila com: uma garrafa de água de meio litro, a BeFree do Ruben que filtra água, 1 lata de atum, 2 pães e queijo e fiambre. Isto para 8 horas de caminhada. Foi um erro, obviamente. Ao início, a expectativa estava alta. A paisagem era mesmo bonita, os lagos gigantes vistos de cima, tudo fantástico. O problema foi quando a comida começou a escassear e a água também. Cada passo custava mais e a paisagem nem isso conseguia contentar. Além disso, tínhamos o Ruben com dores horríveis num pé.


Vamos deixar as imagens falarem por si, porque no fim de tudo, é isso que fica. Os contratempos servem para a aprendizagem, mas sem dúvida que é um trilho bonito e exigente de se fazer, com a nota de levarem comida e de estarem preparados para 8 horas de caminhada.


Os últimos dois dias serviram para descansar, visitar Sete Cidades e fazer um passeio de autocarro pelo centro da ilha até Ponta Delgada, onde viríamos a apanhar o avião de volta ao continente.


Embora haja um tom um bocado negativo nesta viagem, foi, sem dúvida, uma viagem pela qual nos sentimos muito gratos e privilegiados por a conseguirmos fazer num momento tão difícil para todos. A paisagem dos Açores encantou-nos e todas as aventuras em que nos metemos acabaram por ser gratificantes. Foi uma oportunidade de aprendizagem e servir para aumentar ainda mais a nossa sede por viajar.

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